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Queixa na GNR contra dois caçadores
Cão morto à queima-roupa em Rio de Loba

© 2003 Jornal do Centro- Edição Online, 2003-10-17

Dois caçadores são suspeitos de terem disparado um tiro à queima-roupa que, no passado domingo, matou um cão em Rio de Loba. O dono do animal apresentou queixa e vai levar o caso a tribunal.

Texto Isabel Costa Bordalo
Fotografia Isabel Nogueira

Um residente em Rio de Loba, Viseu, vai accionar uma queixa contra dois caçadores que, no passado domingo (dia 12 de Outubro), mataram um cão com um tiro à queima-roupa, perto da passagem superior do IP5, que atravessa a freguesia de Rio de Loba.

A queixa já foi apresentada na GNR juntamente com o relatório da autópsia que atesta a violência usada "gratuitamente" contra o animal, afirma Ana Maria Vaz. A responsável pelo Cantinho dos Animais Abandonados de Viseu tem auxiliado o dono do Maradona, assim se chamava o canídeo, depois de na segunda-feira João Couto lhe ter batido à porta para denunciar este acto de violência. "Deviam retirar a licença de uso e porte de arma a homens como estes que matam pelo prazer de matar", defende Ana Maria que atira como motivação um mau dia de caça: "Provavelmente correu-lhes mal e vingaram-se no cão".

A autópsia ao Maradona, realizada no laboratório de Viseu da Direcção-Geral de Veterinária, não deixa margem para dúvidas quanto à intenção de matar. "A arma foi encostada ao cão e disparada". Do tiro resultaram "múltiplos ferimentos perfurantes, que para além da pele e tecido subcutâneo atingem o pulmão, coração e fígado, determinando hemorragia interna do tórax e abdómen", conforme se pode ler no resultado da autópsia.

O relatório revela ainda que "nos mesmos trajectos perfurantes descobrem-se fragmentos esféricos de chumbo com características de projéctil de arma de caça".

"O próprio veterinário que fez a autopsia ficou tão impressionado que disse que se houvesse dúvidas ele se dispunha a testemunhar e explicar os ferimentos", afirma Ana Maria.

Passavam 20 minutos das sete horas da tarde, quando João Couto e a mulher ouviram um disparo à porta de casa, na estrada do Parque de Leilão de Gado, Fonte de Cima, Rio de Loba, junto à ponte do IP5. O tiro foi seguido de gemidos de um cão. "Olha que é o nosso cão, disse-me a minha mulher" – relata João Couto com as coleiras, uma delas anti-pulgas, do Maradona. Saí a correr, segue em direcção aos latidos, que entretanto cessam, e depara-se com o Maradona, um dos três cães do casal, morto crivado de chumbo. Perto estavam dois homens, que reconheceu como sendo caçadores de Rio de Loba, que se dirigiram a um carro. "Escondi-me atrás de um arbusto, eles arrancaram e eu fui atrás do carro". O automóvel fez inversão de marcha junto à ponte e regressou pela mesma estrada, em terra batida, que é um caminho sem saída, e ao passarem por João Couto atiram: "Está ali um cão morto". "É óbvio que eles me viram a caminhar atrás do carro e regressaram numa tentativa de me distraírem para que eu não apresentasse queixa" – afirma convicto.

O dono do Maradona não tem dúvidas de que os autores deste acto de violência foram os dois caçadores. Trata-se de uma estrada sem trânsito e naquela altura eram as únicas pessoas que andavam no local.

"Não está escrito nos livros que o cão é o melhor amigo do homem? E mata-se assim um animal?", interroga João Couto, que aos 61 anos de idade nunca imaginou presenciar uma situação destas: "O homem tornou-se um bicho".

 

 
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