Dois caçadores são suspeitos de terem
disparado um tiro à queima-roupa que, no passado domingo, matou
um cão em Rio de Loba. O dono do animal apresentou queixa e
vai levar o caso a tribunal.

Texto Isabel Costa Bordalo
Fotografia Isabel Nogueira
Um residente em Rio de Loba, Viseu, vai accionar uma queixa contra
dois caçadores que, no passado domingo (dia 12 de Outubro),
mataram um cão com um tiro à queima-roupa, perto da passagem
superior do IP5, que atravessa a freguesia de Rio de Loba.
A queixa já foi apresentada na GNR juntamente com o relatório
da autópsia que atesta a violência usada "gratuitamente" contra
o animal, afirma Ana Maria Vaz. A responsável pelo Cantinho
dos Animais Abandonados de Viseu tem auxiliado o dono do Maradona,
assim se chamava o canídeo, depois de na segunda-feira João
Couto lhe ter batido à porta para denunciar este acto de violência. "Deviam
retirar a licença de uso e porte de arma a homens como estes
que matam pelo prazer de matar", defende Ana Maria que atira como
motivação um mau dia de caça: "Provavelmente
correu-lhes mal e vingaram-se no cão".
A autópsia ao Maradona, realizada no laboratório de
Viseu da Direcção-Geral de Veterinária, não
deixa margem para dúvidas quanto à intenção
de matar. "A arma foi encostada ao cão e disparada".
Do tiro resultaram "múltiplos ferimentos perfurantes, que
para além da pele e tecido subcutâneo atingem o pulmão,
coração e fígado, determinando hemorragia interna
do tórax e abdómen", conforme se pode ler no resultado
da autópsia.
O relatório revela ainda que "nos mesmos trajectos perfurantes
descobrem-se fragmentos esféricos de chumbo com características
de projéctil de arma de caça".
"O próprio veterinário que fez a autopsia ficou
tão impressionado que disse que se houvesse dúvidas ele
se dispunha a testemunhar e explicar os ferimentos", afirma Ana
Maria.
Passavam 20 minutos das sete horas da tarde, quando João Couto
e a mulher ouviram um disparo à porta de casa, na estrada do
Parque de Leilão de Gado, Fonte de Cima, Rio de Loba, junto à ponte
do IP5. O tiro foi seguido de gemidos de um cão. "Olha
que é o nosso cão, disse-me a minha mulher" – relata
João Couto com as coleiras, uma delas anti-pulgas, do Maradona.
Saí a correr, segue em direcção aos latidos, que
entretanto cessam, e depara-se com o Maradona, um dos três cães
do casal, morto crivado de chumbo. Perto estavam dois homens, que reconheceu
como sendo caçadores de Rio de Loba, que se dirigiram a um carro. "Escondi-me
atrás de um arbusto, eles arrancaram e eu fui atrás do
carro". O automóvel fez inversão de marcha junto à ponte
e regressou pela mesma estrada, em terra batida, que é um caminho
sem saída, e ao passarem por João Couto atiram: "Está ali
um cão morto". "É óbvio que eles me
viram a caminhar atrás do carro e regressaram numa tentativa
de me distraírem para que eu não apresentasse queixa" – afirma
convicto.
O dono do Maradona não tem dúvidas de que os autores
deste acto de violência foram os dois caçadores. Trata-se
de uma estrada sem trânsito e naquela altura eram as únicas
pessoas que andavam no local.
"Não está escrito nos livros que o cão é o
melhor amigo do homem? E mata-se assim um animal?", interroga
João Couto, que aos 61 anos de idade nunca imaginou presenciar
uma situação destas: "O homem tornou-se um bicho".