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© 2002 Notícias de Viseu - Edição Online, 2002-07-12
Na época de férias, o número de animais
abandonados sobe em flecha. A porta do Cantinho dos Animais Abandonados
é muitas vezes o destino mais fácil encontrado por alguns “donos
analfabetos”, que não sabem “que estamos sobrelotados e não
aceitamos nem mais um cão”.
O Cantinho dos Animais Abandonados nasceu oficialmente
em 1993, partindo da ideia de um grupo de quatro mulheres unidas pelo
amor “aos bichinhos”.
No entanto, já vinham reunindo alguns animais em quintas particulares,
onde chegaram a reunir cerca de 50 cães, abandonados e mal tratados,
que encontravam nestas protectoras o carinho e os tratos necessários
para continuarem a viver.
Algum tempo mais tarde, a Câmara Municipal de Viseu cedeu um terreno em
Rio de Loba, onde foram construindo um cantinho para os animais
abandonados.
Desde então, as dificuldades têm sido mais que muitas, uma vez que “é
difícil manter um local deste género, que vive apenas das quotas de
alguns sócios e do protocolo que mantemos com a Câmara Municipal de
Viseu”, explica Ana Vaz, do Cantinho dos Animais Abandonados.
Actualmente contam com cerca de 800 sócios, “mas infelizmente nem
todos pagam as quotas, mesmo tratando-se de apenas 15 euros anuais”.
A Câmara dá uma ajuda preciosa, “mil euros mensais, embora seja uma
quantia insuficiente para o número de animais que temos”.
“Estamos sobrelotados e não aceitamos nem mais um cão”
O Cantinho dos Animais Abandonados está criado para acolher
aproximadamente 300 cães, mas a verdade é que contam já com 500. Um número
por demais elevado, que obriga a que não possam aceitar “nem mais um
cão”.
Com a chegada das férias, o abandono de animais é uma prática
habitual, que traz ainda mais problemas a esta instituição. A contas
com um sobrelotamento, têm sido obrigados a não aceitar os animais que
“todos os dias são deixados à nossa porta”.
Ana Vaz vai mesmo mais longe, deixando o aviso a todos “os donos
analfabetos”, que acreditam que “ao abandoná-los à nossa porta estão
a livrá-los da morte”. No entanto, a realidade é outra. Como não
estão a aceitar mais nenhum cão, acabam por ficar na rua , “onde
correm o risco de serem atropelados ou mesmo envenenados”.
Onde deixar os cães ao partir em viagem
Apesar de não estarem a receber animais abandonados, esta instituição
recebe inúmeros cães no período das férias. “Muitos já são
repetentes nestas andanças e habituaram-se a confiarem-nos os cães
durante esta época do ano”, esclarece Ana Vaz.
Esta é uma prática que pretendem que venha a combater o abandono, já
que “todas as pessoas têm de assumir o animal ao adquiri-lo”.
O abandono daquele que é considerado “o melhor amigo do homem”
aumenta nesta época, mas Ana Vaz acredita que “a maior parte dos cães
que recebemos nem sequer são do concelho de Viseu”.
Inúmeros animais à espera de novos donos
Grande parte dos animais desta instituição estão à espera de
encontrar novos donos. Actualmente têm uma ninhada de sete gatos-bebés,
uma husky, um pastor alemão do Canadá e 90 cadelas castradas para
serem dadas.
Os cães de raça são sempre os mais procurados, mas para Ana Vaz, que
lida de perto com todo o tipo de cães, “os rafeiros são muito mais
dedicados”.
(...)
Cristina Marques, chefe de redacção do Notícias de Viseu e autora do
artigo
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